Operação retira 50 toneladas de entulho do Parque Ecológico do Gama

Ação atendeu à demanda da comunidade e reforça compromisso com a recuperação ambiental da área

Redação FG
Lido a 7 Minuto
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A operação representa o coroamento de um esforço conjunto de monitoramento, fiscalização e recuperação ambiental. O parque é um espaço valioso e deve ser preservado para uso sustentável e seguro da população

Uma operação conjunta do Instituto Brasília Ambiental (Ibram) e da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) retirou, nesta terça-feira (28), nove caminhões de entulho e inservíveis — cerca de 50 toneladas — do Parque Ecológico do Gama. A ação também resultou na demolição de três edificações irregulares, sendo duas de alvenaria e uma mista, e no encaminhamento de ocupantes à delegacia após a apreensão de um vaso com um pé de maconha.

Coordenada pelo diretor de Fiscalização e Execução (Difis III) do Ibram, Fernando Cortizo, a operação atendeu a solicitações de moradores da região, que denunciavam invasões e aumento da criminalidade dentro da área de preservação. Segundo o diretor de Fiscalização de Unidades de Conservação (Difis II), Neder Aquino, os relatos da comunidade apontavam para ocupações irregulares associadas a práticas ilícitas, como pequenos furtos e tráfico de drogas.

“Os moradores vinham alertando sobre a presença de invasores e a insegurança crescente na área. A ação foi essencial para devolver o parque à população e reforçar a proteção ambiental”, afirmou Aquino.

Fiscalização contínua e recuperação ambiental

A área já vinha sendo monitorada pelo Ibram há meses. A operação desta semana, segundo o órgão, marca a conclusão de um trabalho contínuo de vigilância e combate à ocupação irregular. Para a vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão, o resultado é um passo importante na preservação do patrimônio ecológico do Gama.

“A operação representa o coroamento de um esforço conjunto de monitoramento, fiscalização e recuperação ambiental. O parque é um espaço valioso e deve ser preservado para uso sustentável e seguro da população”, afirmou.

O presidente do Brasília Ambiental, Rôney Nemer, elogiou o empenho das equipes envolvidas. “O trabalho das equipes é essencial não apenas para combater irregularidades, mas também para restaurar a tranquilidade e a segurança dos frequentadores. O parque deve voltar a ser um espaço de convivência, lazer e contemplação da natureza”, destacou.

O histórico de abandono da Prainha

O Parque Ecológico do Gama, também conhecido como Prainha, tem papel importante na história e no meio ambiente do Distrito Federal. Criado em 1961, foi o primeiro parque ecológico do DF, com 744 hectares de cerrado preservado, córregos de águas cristalinas e tanques naturais que atraíam visitantes de diversas regiões.

Durante mais de quatro décadas, o espaço foi um ponto de encontro para famílias, esportistas e amantes da natureza. Mas, desde 2002, o parque entrou em processo de abandono e deterioração, reflexo de problemas fundiários, poluição e falta de manutenção.

Na década de 2000, o local chegou a ser administrado por um empresário que tentou revitalizar as estruturas — reformando piscinas, lanchonete e restaurante. No entanto, após a anulação do contrato de concessão, a gestão voltou ao poder público, e as melhorias foram removidas. Desde então, nenhuma reforma significativa foi realizada, deixando o espaço em ruínas.

Hoje, as antigas piscinas estão vazias, o alambrado foi destruído, e a entrada principal não possui mais portaria ou controle de acesso. Com isso, a criminalidade, o descarte irregular de entulho e o desmatamento tornaram-se problemas recorrentes.

Impactos ambientais e riscos à bacia hidrográfica

Além do aspecto histórico, o Parque Ecológico do Gama tem alta relevância ambiental. A área funciona como uma “esponja natural”, absorvendo a água da chuva e recarregando os lençóis freáticos da região. O descuido e as ocupações ilegais, no entanto, comprometem o equilíbrio do ecossistema local.

O córrego que corta o parque — conhecido como Córrego do Alagado — sofre com poluição e despejo de esgoto, impedindo qualquer uso recreativo. O desmatamento e o acúmulo de lixo agravam a erosão e ameaçam a fauna e a flora nativas do cerrado.

De acordo com o Ibram, o abandono tem causado perda de biodiversidade e impactos diretos na qualidade da água e do solo. A presença de resíduos e o desmatamento reduzem a capacidade natural de absorção da área, prejudicando o abastecimento hídrico e aumentando os riscos de enchentes urbanas.

Promessa de revitalização e plano de manejo

Apesar do cenário de degradação, o governo do Distrito Federal reafirma o compromisso com a revitalização do parque. Segundo o Ibram, um plano de manejo ambiental está em elaboração, com o objetivo de transformar o local em parque distrital, regido por normas semelhantes às dos parques nacionais, que permitem apenas pesquisas, caminhadas guiadas e atividades controladas.

A proposta prevê ações de reflorestamento, limpeza permanente, instalação de cercas e reativação das trilhas ecológicas, além de medidas para garantir segurança e acesso sustentável ao público.

“Queremos devolver o parque à comunidade, mas de forma planejada e ambientalmente responsável. O uso sustentável é fundamental para evitar que o ciclo de abandono e invasão se repita”, afirmou Fernando Cortizo.

A operação desta semana, portanto, representa mais do que a retirada de entulho — é um marco no processo de recuperação do Parque Ecológico do Gama. O objetivo é restaurar o equilíbrio ambiental e reconectar os moradores com o espaço que, por décadas, simbolizou lazer, natureza e identidade local.

Memória e esperança

Para muitos moradores antigos, a “Prainha” permanece viva na lembrança. Era ali que famílias passavam os fins de semana, aproveitando as águas limpas e as sombras das árvores. “Dava para ver uma moeda no fundo do córrego”, relatam antigos frequentadores. Hoje, a paisagem mudou, mas a expectativa de revitalização reacende a esperança de ver o parque novamente ativo e protegido.

Enquanto o plano de manejo não sai do papel, as ações de limpeza e fiscalização seguem como instrumentos fundamentais para conter o avanço das ocupações e da degradação. O desafio é grande, mas o movimento iniciado com a operação reforça o compromisso de reconstruir um espaço que já foi um dos maiores símbolos ambientais do Distrito Federal.

Com informações do Instituto Brasília Ambiental (Ibram)

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