O Cine Itapuã é considerado o coração cultural do Gama, possuindo uma importância que vai muito além de uma simples sala de projeção. Sua relevância para a cultura local e do Distrito Federal pode ser detalhada nos seguintes pontos:
1. Marco Histórico e Pioneirismo
Inaugurado em 28 de março de 1961, o Cine Itapuã foi o primeiro edifício de alvenaria construído no Gama. Ele é reconhecido como o segundo espaço cultural mais antigo de Brasília, ficando atrás apenas do Cine Brasília. Em seu auge, foi o segundo maior cinema do Distrito Federal, com 1.117 lugares, consolidando-se como um marco espacial e social essencial na formação da cidade.
2. Diversidade Cultural e Formação de Público
Ao longo de décadas, o espaço funcionou como vitrine para diversos gêneros cinematográficos, desde produções nacionais e infantis até filmes religiosos e sessões de kung-fu. Mais do que entretenimento, o local era um ponto de encontro e sociabilidade, onde moradores, jovens e artistas circulavam, integrando a rua ao “sonho” do cinema através de sua arquitetura brutalista suave e foyer aberto.
3. Resistência e o Cineclube Porta Aberta
Um dos momentos mais marcantes de sua história foi a atuação do Cineclube Porta Aberta na década de 1980. O grupo mobilizou a comunidade para impedir que o prédio fosse vendido para se tornar um supermercado, defendendo sua vocação cultural. Sob a gestão do cineclube, o Itapuã passou a exibir o melhor da produção nacional, recebendo artistas e cineastas renomados como Giulia Gam, Vladimir Carvalho e Tizuka Yamasaki.
4. Descentralização da Cultura
O Cine Itapuã desempenhou um papel crucial na descentralização cultural do Distrito Federal. Ele chegou a integrar a circulação do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, transmitindo filmes simultaneamente com o Plano Piloto. Isso permitia que o público do Gama acessasse produções de alta densidade cultural sem precisar se deslocar ao centro administrativo, posicionando a cidade como um polo relevante na cena audiovisual brasileira.
5. Patrimônio e Identidade Local
Mesmo fechado desde 2005, o cinema permanece vivo no imaginário coletivo e na identidade dos moradores. Em 2016, foi oficialmente declarado Patrimônio Cultural Material do Distrito Federal (Lei nº 5.616/2016). Atualmente, movimentos como o “Itapuã Resiste” continuam utilizando a frente do prédio para promover eventos, reforçando que o espaço não é apenas uma ruína, mas um símbolo da luta pelo direito à cultura e ao lazer nas regiões administrativas fora do Plano Piloto.
Em suma, a importância do Cine Itapuã reside na sua capacidade de ter sido, e ainda ser, uma linguagem de pertencimento para a comunidade do Gama, representando a memória urbana e a resistência cultural da cidade.

