Palhaçaria Inclusiva nas Escolas do Gama e Santa Maria

Projeto com artistas cadeirantes leva apresentações gratuitas para discutir autonomia e convivência no Distrito Federal

Redação FG
Lido a 5 Minuto
Aviso: Este site pode conter links de afiliados, o que significa que posso ganhar uma comissão se você clicar no link e fizer uma compra. Recomendo apenas produtos ou serviços que uso pessoalmente e acredito que agregarão valor aos meus leitores. Agradecemos seu apoio!
Arte e inclusão em cena: crianças participam de uma apresentação de palhaçaria nas escolas do Gama e Santa Maria

Duas artistas cadeirantes entram em cena para mostrar que uma cadeira de rodas integra a linguagem de um espetáculo. O projeto Alegria e Mariola realiza 16 apresentações gratuitas para estudantes de instituições públicas de ensino no Gama e em Santa Maria. A temporada começou em 19 de outubro no CAIC Albert Einstein e segue para outras escolas da região ao longo do mês.

A encenação é protagonizada por Jarlene Maria, que interpreta o palhaço Alegria Cadeirante, e por Kássia Gomes, a palhaça Sorriso. O nome do projeto presta homenagem a Mônica Giseuda, a palhaça Mariola, colega de profissão que faleceu recentemente. A realização acontece com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, fruto de uma parceria entre Jarlene, a Secretaria de Cultura do Distrito Federal e o Ministério da Cultura.

Troca de habilidades em cena

O encontro entre Jarlene e Kássia deu novas formas à dramaturgia. Cada artista apresenta o modelo de sua cadeira de rodas aos estudantes antes de iniciar os movimentos. Quando você observa a cena, nota que o giro da roda funciona como um passo de dança focado na precisão, e não como uma limitação de mobilidade. As duas trocam habilidades no palco de forma ativa, já que uma ensina a cantar e a outra mostra como fazer mágica. Essa dinâmica ilustra um aspecto comum a todos nós, pois o aprendizado real sempre se constrói na colaboração mútua. A arte ensina que a diferença é apenas outra forma de movimento.

A arte como espaço de presença

A experiência pessoal de Jarlene orienta a proposta. Ela tem paralisia cerebral e relata ter vivido uma infância marcada pelo isolamento. O contato com a arte na fase adulta permitiu uma participação social que ela não conhecia. Hoje, interpretar o palhaço Alegria diante das crianças é uma tentativa de fazer o caminho inverso. A intenção é chegar aos estudantes enquanto eles ainda formam a percepção sobre si mesmos e sobre as pessoas ao redor.

A parceria de palco surgiu após Jarlene assistir a uma apresentação de dança de Kássia, que tem lesão medular e também atua como atleta de canoagem. Após o convite, as duas começaram a trabalhar coletivamente. O formato atual trouxe algo inédito para Jarlene, sendo a primeira vez que ela contracena diretamente com outra artista cadeirante.

A presença de pessoas com deficiência no palco ajuda a expandir o que as crianças imaginam para o próprio futuro. A ausência de referências nos espaços de formação artística costuma restringir as escolhas dos jovens antes mesmo que eles tenham a chance de tentar. O objetivo do projeto é que uma criança com deficiência olhe para os artistas e veja a possibilidade concreta de trabalhar com cultura ou educação.

Estrutura e acessibilidade na prática

O produtor executivo Marco Augusto de Rezende explica que a escolha de circular pelas escolas facilita o encontro entre estudantes com e sem deficiência. O texto teatral trabalha temas como cooperação e amizade de forma leve. A simples presença das artistas no espaço escolar já cria uma experiência de convivência com a diversidade.

Para garantir que a mensagem chegue a todos, as apresentações oferecem recursos de Libras e audiodescrição. Há também profissionais focados na acessibilidade atitudinal. Os locais passam por avaliação prévia para checar as condições de acesso, um cuidado necessário já que as próprias artistas dependem de infraestrutura adequada para trabalhar. Jarlene afirma que muitos espaços culturais ainda apresentam barreiras físicas graves, o que exige adaptações constantes da equipe.

Agenda de apresentações

As sessões inaugurais ocorreram na segunda-feira, 19 de outubro, no CAIC Albert Einstein, em Santa Maria, com horários distribuídos ao longo da manhã e da tarde. Na terça-feira, 20 de outubro, o projeto visita a Escola Classe 21 e a Escola Classe 12, ambas no Gama.

Na semana seguinte, o roteiro continua. No dia 26 de outubro, as apresentações chegam à Escola Classe 17 e à Escola Classe 10, também localizadas no Gama. O encerramento da etapa acontece em 27 de outubro, contemplando a Escola Classe 02, no Gama, e a escola Gesner Teixeira, em Santa Maria. Mais informações sobre o andamento do projeto podem ser acompanhadas pela página da artista no Instagram.

Compartilhe este arquivo