Governo do DF autoriza estudos para nova linha do metrô e avança em expansão até o Gama e Santa Maria

Projeto prevê ligação da região Sul ao centro de Brasília e obras já em andamento no ramal de Samambaia

Redação FG
Lido a 9 Minuto
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Ibaneis Rocha: "A gente sabe que isso demora, não é uma coisa para um governo só, mas estamos projetando para depois irmos atrás dos recursos para executar as obras estruturantes" | Fotos: Renato Alves/Agência Brasília

O governador Ibaneis Rocha assinou, nesta sexta-feira (19), a ordem de serviço para a elaboração dos estudos de viabilidade da Linha 2 do Metrô-DF. O novo trecho vai ligar a região Sul do Distrito Federal — que inclui Gama, Santa Maria, Riacho Fundo, Recanto das Emas, Núcleo Bandeirante, Candangolândia e Cruzeiro — à área central de Brasília.

A autorização permite a contratação de serviços especializados para os estudos preliminares funcionais e de viabilidade técnica, econômica e ambiental. A proposta faz parte do planejamento de expansão do sistema metroviário da capital.

Segundo o governador Ibaneis Rocha, o projeto é estruturante para o futuro da mobilidade. “A gente governa para o futuro. Os passageiros de Santa Maria e do Gama têm uma carência muito grande de transporte, principalmente porque é de onde vêm as pessoas do Entorno. Com a implementação dessa nova linha, ajudamos também quem mora nos municípios vizinhos. A gente sabe que isso demora, não é uma coisa para um governo só, mas estamos projetando para depois irmos atrás dos recursos para executar as obras estruturantes”, afirmou.

A vice-governadora Celina Leão reforçou que a medida amplia as opções de transporte público. “Com a assinatura da ordem de serviço, estamos garantindo a continuidade da expansão para oito regiões do DF. Estamos construindo o futuro da mobilidade do Distrito Federal, com um transporte público cada vez mais eficiente”, disse.

Linha 2 do metrô

O projeto da Linha 2 prevê cerca de 50 km de extensão, conectando a região Sul diretamente ao Plano Piloto e à Esplanada dos Ministérios. Essa etapa inicial compreende os estudos de viabilidade. Em seguida, caso confirmada a viabilidade, será contratado o anteprojeto de engenharia e a modelagem econômica.

De acordo com o presidente do Metrô-DF, Handerson Cabral, os estudos vão embasar as próximas fases. “Essa é a primeira etapa para implementar a nova linha. Feito isso, tendo viabilidade, a gente passa para a segunda fase, que é fazer a contratação da modelagem econômica e de um anteprojeto de engenharia para a gente entender como seria essa obra, os custos e de que maneira faríamos o financiamento para a execução no futuro”, explicou.

A expansão deve impactar diretamente moradores de oito regiões administrativas e também usuários que vêm do Entorno em direção ao centro de Brasília. A expectativa é reduzir o tempo de deslocamento, aliviar o trânsito em corredores viários e estimular o desenvolvimento local.

Expansão da Linha 1 em Samambaia

No mesmo dia, o governador visitou as obras de expansão da Linha 1 do metrô no ramal de Samambaia. A intervenção é executada pelo consórcio CG–JFJ, vencedor da licitação, e envolve a construção de 3,6 km adicionais de via, duas novas estações e viadutos sobre a Avenida Sul.

As obras estão em andamento em diferentes frentes: fundações das estações 35 e 36, escavações, terraplanagem e execução de estruturas de apoio. O empreendimento gera atualmente cerca de 2 mil empregos diretos e indiretos, com frentes de trabalho ativas de segunda a sábado.

Para o governador Ibaneis Rocha, a ampliação da malha metroviária traz ganhos sociais e econômicos. “No mundo todo, a obra que mais traz relevância é do metrô, e Brasília não tinha uma expansão há muitos anos. Sem contar que, por onde passa a linha, vem mais desenvolvimento. Temos comércio e empresas que se instalam pela facilidade do transporte. E a ideia é que possamos expandir também o de Ceilândia. Após a análise do Tribunal de Contas do DF, lançaremos a licitação para isso”, disse.

Novas estações

A expansão em Samambaia prevê duas novas estações. A Estação 35 ficará próxima à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e a Estação 36, nas imediações do Centro Olímpico, será o ponto final do ramal. Cada uma terá 7 mil m² de área construída.

Quando concluídas, devem beneficiar aproximadamente 15 mil usuários diários. Além de atender à mobilidade, a obra deve impulsionar o comércio e a oferta de serviços na região.

A vice-governadora Celina Leão ressaltou a importância da localização estratégica. “As duas novas estações, a poucos metros da UPA e do Centro Olímpico, foram pensadas para atender as necessidades diárias dos moradores. Mas o nosso planejamento vai além”, declarou.

Segundo o presidente do Metrô-DF, as novas unidades estão sendo projetadas com recursos modernos. “As estações estão sendo erguidas com o que há de mais moderno em arquitetura e engenharia, com recursos de acessibilidade e aproveitamento hídrico. Além disso, as obras incluem viadutos ao longo do eixo viário da região projetados para reduzir custos, acelerar a execução e minimizar os impactos no trânsito”, explicou Handerson Cabral.

Estrutura do projeto

A expansão em Samambaia contempla três viadutos, quatro passarelas aéreas, além das duas estações. As obras incluem ainda escavações, drenagem, pavimentação e implantação de sistemas de energia, telecomunicações e mecânica.

Atualmente, cerca de 300 a 350 trabalhadores atuam diretamente nos canteiros. Com o avanço das etapas, a estimativa é que o número de empregos diretos e indiretos ultrapasse 2 mil.

A ordem de serviço foi assinada em fevereiro pela vice-governadora Celina Leão. O investimento é de R$ 348,9 milhões, com prazo de execução entre dois anos e meio e quatro anos. Os recursos vêm do Governo do Distrito Federal e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Nos últimos anos, o GDF entregou três novas estações: 106 Sul, 110 Sul e Estrada Parque (EPQ). Em Samambaia, a expansão faz parte do Projeto de Expansão do Sistema Metroviário de Brasília, previsto em lei desde 2011.

Impactos para a população

A chegada da Linha 2 e a ampliação da Linha 1 representam benefícios diretos para a população. A expectativa é reduzir o tempo de deslocamento entre regiões administrativas e o centro de Brasília, oferecer um transporte público mais eficiente e ampliar a cobertura do metrô para áreas que ainda dependem do ônibus.

Com a expansão, mais moradores terão o metrô como principal meio de transporte, reduzindo custos individuais e colaborando para a sustentabilidade urbana. Além disso, a criação de novos postos de trabalho durante a execução das obras impulsiona a economia local.

Atualmente, o Metrô-DF possui 42,3 km de extensão, ligando Brasília a Ceilândia e Samambaia. O traçado em formato de “Y” inclui o eixo até Águas Claras (19,1 km), o ramal até Ceilândia Norte (14,3 km) e o trecho até Samambaia (8,8 km). Em dias úteis, transporta entre 160 mil e 180 mil passageiros.

Com a execução das obras, a tendência é que o número de usuários cresça significativamente, aliviando a pressão sobre o sistema de ônibus e o trânsito nas principais vias da capital.

Futuro da mobilidade

O governo do Distrito Federal aposta no metrô como solução central de mobilidade para os próximos anos. A expansão para Samambaia deve ser entregue dentro do prazo estabelecido. Já a Linha 2 depende da conclusão dos estudos e da captação de recursos, mas já representa um marco no planejamento da cidade.

Para os gestores, as obras representam um passo fundamental para reduzir desigualdades territoriais, levando transporte de qualidade a regiões que historicamente sofrem com a falta de infraestrutura.

“A comunidade aqui de Samambaia que ainda não tinha acesso passará a ter o metrô como um meio de transporte principal”, concluiu o presidente do Metrô-DF.

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